HISTÓRICO DA COMUNIDADE QUILOMBOLA - SANTA TERERA

 

    O povoamento da região data-se de 1901, quando Joaquim Malaquias da Silva, patriarca da Família Malaquias chegou à região vindo de Campos Formoso MG, após ter morado um tempo em um lugarejo chamado Varadouro que pertencia a Campo Grande. Construiu sua residência na Cabeceira do riacho que logo depois recebeu o nome de Pontinha do Cocho (bem próximo onde se localiza a Comunidade).

    Com ele vieram os filhos do primeiro casamento e alguns amigos. Diferente de outros dissidentes do regime de escravidão do país, Joaquim Malaquias ao chegar à região não teve dificuldade em comprar um pequeno pedaço de terra e logo em seguida requereu uma grande área circunvizinha.

    Em 1912 Joaquim Malaquias mudou-se para um lugar chamado Retiro, aproximadamente 25 km de onde hoje se localiza a Comunidade. Com o passar do tempo outras famílias, além das que vieram com Joaquim Malaquias começaram a chegar à região como, por exemplo, famílias: Pereira, Rodovalho, Correa, Rodrigues e Brito.

    Por volta de 1950, um dos filhos de Joaquim; Sabino Malaquias fixa residência no local onde hoje se encontra a Comunidade. Depois de 1952, com a morte de Joaquim Malaquias mais quatro filhos (Nelson, Domingos, Universo e José) vêm morar nessa localidade nas terras que herdaram do pai.

    No ano de 1967 Sabino Malaquias resolve vender sua propriedade para Sabino Correa Soares que já morava próximo à região. Em 1977 Sabino Correa candidata-se a vereador pelo Município de Camapuã e é eleito com o apoio dos amigos e parentes da região.

    Na época as famílias da região não recebiam apoio dos órgãos públicos e estavam jogados a própria sorte. Vendo as várias necessidades o então vereador Sabino Correa, conseguiu junto ao executivo municipal a Construção de uma pequena escola para atender as crianças das propriedades vizinhas; a esta foi dado o nome de Escola Benedito Alves do Bonfim (homenagem ao primeiro professor que passou por esta região). As crianças iam de lugares próximos e também de lugares distantes (a pé ou a cavalo) na busca de novos conhecimentos.

    Devido a estas distâncias algumas famílias construíam “barracos” no entorno da escola, vinham à mãe com as crianças, enquanto, o pai ficava na propriedade durante toda a semana. Sabino Corrêa, então resolveu lotear uma área de dez hectares próxima a escola para que as famílias pudessem construir casas melhores e mais confortáveis. Muitos desses lotes foram doados a essas famílias. Começavam assim um maior povoamento na região e a realização de um sonho de Sabino Correa Soares que passa a ser o Fundador da Comunidade a qual deu o nome de Santa Tereza em homenagem a sua mãe que se chamava “Tereza”.

    A Comunidade iniciou sendo formada em sua maioria por pessoas descendentes da Família Malaquias, mas também por outras famílias. Os primeiros moradores foram: Antualpa Malaquias, José Malaquias de Brito, Antonio Paes de Amorim, Leonízio Amorim, Pedro Quirino, Deraldino Candido, entre outros.

    Em 1981, a Comunidade foi escolhida para ser o local definitivo para realizar a Grandiosa Festa em louvor ao Divino Espírito Santo, tradicional da Família Malaquias, que antes era realizada nas fazendas da região.

    No ano de 1996 a Comunidade e região levaram ao Legislativo mais um representante, ou melhor, uma representante, a Vereadora Fátima Malaquias, que a exemplo de Sabino Correa realizou um bom trabalho sensibilizando o executivo para fazer mais investimentos e melhorar a região. Entre essas melhorias podemos citar: Fornecimento de energia elétrica (Motor), expansão do Transporte Escolar, início da Construção do Salão Comunitário e no decorrer do seu segundo mandato apresentou na Câmara Municipal o Projeto que criou o Núcleo Urbano de Santa Tereza que foi aprovado e sancionado pelo Prefeito Municipal (Lei nº. 1.288, de 06 de Junho de 2003).

   Em 20 de Julho do ano de 2003 foi fundada a Associação de Moradores e Pequenos Produtores Rurais de Santa Tereza e através da Entidade foi iniciado o Processo para buscar a Certidão de Auto - Reconhecimento da Fundação Cultural Palmares como Comunidade Remanescente de Quilombo. Certidão esta expedida em 04 de Julho de 2005.  

   Com a emancipação de Figueirão em setembro de 2003 a Comunidade passou a pertencer a esse promissor município. E a região começou a receber mais atenção dos órgãos municipais e a Comunidade formada por Malaquias e não Malaquias tem na organização e na cultura o grande referencial e caminha de forma serena para o seu desenvolvimento. 

Fonte: Valdoiro Ferreira Soares 

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