História da Comunidade Quilombola  Águas do Miranda

Representada pelo griot – indivíduo que tem o compromisso de preservar e transmitir histórias, fatos históricos e os conhecimentos e as canções de um povo – Amaurílio Modesto, 77 anos, conta que a comunidade surgiu em meados da década de 1950, quando ele veio da Bahia para trabalhar em fazendas do estado. “Cheguei aqui com 18 anos, ainda moço, para trabalhar nas fazendas e me instalei próximo ao rio, nas terras devolutas do governo. Mesmo assim, com ameaças e até jagunços, fomos expulsos de onde vivíamos, nos restando apenas esse pequeno pedaço. Na época era assim, mesmo a terra sendo de nossa ocupação, fazendeiros da região se apossavam do local. Era sair ou morrer”, conta seu Amaurílio que até hoje guarda o documento da década de 80 no qual abria mão “voluntariamente” de suas terras. “Era sair ou morrer”, conta seu Amaurílio.

Mais tarde também vieram família de Alagoas e Minas Gerais que integraram comunidade, se instalando no local e também em Anastácio e Nioaque. Hoje basicamente as famílias da região sobrevivem da venda do pescado e da agricultura familiar.

Tendo na sua tradição cultural a Bandeira de Folia de Reis comemorado no dia 6 de janeiro, mas que na comunidade é comemorado no final de semana com torneio de futebol, festa com toda arrecadação durante os 16 dias de peregrinação em torno do distrito Águas do Miranda

Sendo a principal festa de simbolismo católico... a bandeira está na família Modesto desde o ano de 1918 com o pai do seu Amaurílio com mais de 100 anos de tradição.

A comunidade tem católicos, protestante, umbanda e vivem de forma harmônica a formação atual dos genes das famílias é de afroindigenas, devido ao relacionamento com a etnia Terena com os afrodescendentes

Localização da comunidade é na MS 345 rodovia Anastácio a Bonito as margens do rio Miranda divisa  entre os municípios de Anastácio e Bonito.

De acordo com a lei municipal 1789 de 2015 a comunidade recebeu uma área institucional de 19 hectares na rua Jatobá e rua Aroeira a 8 km da sede do distrito, esta área ainda requer regularização fundiária por ter posseiros dentro da área institucional na qual a comunidade aguarda resolução judicial e isenção de impostos estadual sobre o processamento de ITCD ( imposto estadual de causas Mortis e doações ) para enfim ir para área e viver conforme a sua cultura.

Fonte: Valdecir Amorim

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